Segundo nosso e velho Aurélio, uma pessoa honesta é a mesma coisa que uma pessoa digna, íntegra, honrada. Pois bem quando esse termo é usado para referi-se tanto ao homem quanto a mulher ele tem conotação diferente.
Sempre ouço: "Fulano é tão honesto, nunca tirou nada de ninguém" e "Fulana é tão honesta, nunca traiu o marido".
Essa palavrinha que muita gente utiliza, geralmente, tem sentidos diferentes. Para a sociedade mulher honesta é a que se dedica a família, não tem liberdade para variar de parceiros e que é de um homem só. Já o homem honesto é aquele que tem um trabalho, não rouba e cumpre com suas obrigações. Pois é, vejam como a mulher ainda é subjugada por sua sexualidade. Será que só serei honesta quando eu me mantiver fiel e pertencer a um homem só?
Outro dia na Eper (uma comunidade do Orkut), uma menina perguntou se tínhamos que dizer o número de parceiros que tivemos se por acaso nosso parceiro atual perguntar, sendo que outra garota respondeu que sempre íamos responder que teríamos dois parceiros antes do atual. E, no momento, eu tinha concordado com ela e expus isso na comunidade, para não minha surpresa fui chamada de desleal, falsa, mentirosa, só não me chamaram de desonesta. ¬¬
Muitas de nós só falamos isso (que o nosso parceiro atual é o terceiro homem da nossa vida) para que aos olhos da sociedade e dos homens possamos nos encaixar no rol das meninas "boa para casar", pois há homens que não querem uma mulher que o carinha da outra rua já "pegou". É fatão que há muito preconceito com relação ao número de parceiros que a mulher teve e nós tendemos a diminuir ou estagnar a quantidade em dois, mesmo que tenha sido vinte e dois. Mas o problema está justamente aí, qual é o Homem de verdade irá se importar em saber quantos parceiros, antes dele, a menina teve? Qual é o intuito dessa pergunta?
Acho que concorda com o pensamento de que "mulher boa para se relacionar é a que teve poucos parceiros" é fortalecer o machismo e o preconceito contra a mulher. Cabem a nós, mulheres, romper com as amarras que nos subjugam e nos submetem as vontades e desejos masculinos.
Érica Lima Menezes